sonhe até com o infinito
Sempre mudando de intensidade. Tudo passa, menos o amor e os sonhos, mesmo se algum dia se tornam realidade, persistem na memória.
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(Source: desapegar-se)

Pesadelo que nunca acaba.

E como quase todos os últimos dias, me encontro numa desesperada tentativa de queimar os problemas e achar que tudo é muito menor do que parece, tentando camuflar que tudo isso realmente me ajudará e fará passar mais rápido. Porém sei que só estou retardando uma série de dores, que cansadas pelo tempo postas em repouso, cozinhadas em banho-maria num fogo frio, já começaram a borbulhar. Borbulhar de forma violenta, perversa, de não me deixar levantar para ver a vida, não me deixar acordar, como que me prendendo ao tempo, só por vingança de toda essa enrolação que eu mesma tenho provocado.

Tanta coisa tem me feito cansar de tudo, menos das coisas ruins. E um exemplo disso é esse texto.. será que aqui em algum lugar eu falei de algo bom? Acho que não. Pelo menos esse negativismo insensibiliza meus sentidos; escrevo como que usando algodões e a caneta desliza pelo papel como meia no lençol.

Queria escrever mais… mas o tempo vem me consumindo.

E eu vou fingindo que estou aceitando…

tudo vai, nem tudo volta..

tudo vai, nem tudo volta..

(Source: karmafuckingbitch)

Pintas onde não tem.

Depois de mais de um mês de pesadelos que não queriam se ver longe de mim, se apoderando cada vez mais da minha cabeça e da minha sanidade, que me deixavam numa solidão e numa busca incansável por tudo que eu sabia que não resolveria nada, mas eu faria, por pura covardia, só pra fugir, pendurei um filtro dos sonhos ao meu lado na cama. Realmente dormi melhor. Finalmente, é como se já não soubesse mais o que era isso. Já estava acostumando a ir dormir sabendo o que encontraria nas próximas horas.. lugares escuros, solidão, quedas, gritos.. tudo seguido por uma respiração ofegante, dor de cabeça e suor. Mas acabou funcionando; no primeiro dia absorvendo tudo em que pensava e no outro, me alimentando de coisas boas. Ainda consigo sentir o cheiro da minha felicidade, que infelizmente ao acordar virou dúvida, culpa, mas mesmo assim, saudade. Foi o único lugar que ultimamente, não me deixou chateada  por prometer e não cumprir, como tem sido todos meus finais de semana, e esse era um desses.

Era uma festa em sua casa, algum lugar que eu já fui algum dia, mas com algumas mudanças. Vi todos entrando e indo para o quarto, conversar, enquanto eu só queria mesmo era passar um tempo com você. Cheguei e sentei no sofá, já você, se jogou, e ali ficamos pensando em nada e qualquer coisa, sem trocar uma palavra. Na verdade lembro bem que observava suas pintinhas lindas do rosto de longe, como se fosse uma foto que você tem, que eu adoro. Até que você dormiu. Quando vi, estava caindo pelo canto do sofá, fui te segurar, consegui. Quando tirei a mão, você chamou meu nome, ainda posso ouvir sua voz.. pediu pra que eu deitasse ao seu lado, e não tirasse a mão dali, de baixo de sua cabeça, fazendo carinho em seu cabelo. Acabamos adormecendo juntos. Até que acordei, vi que já não era quem você era antes, era outro alguém, porém só fisicamente, já que sabia que ali dentro em algum lugar, continuava sendo a mesma pessoa. Fomos ver a lua, que se transformou em uma bicicleta com um ciclista e começou a andar pelo céu, a se aproximar da gente. Enquanto isso, fumamos juntos, rindo, enchendo nosso redor com fumaça, muita fumaça, o que me deixava confusa de quem realmente você era.. quando percebi que tudo dependia da distância; quando estava longe, envolto pela fumaça, era um, quando estava perto, me abraçando, era outro. Te beijei, quem quer que você fosse, e acordei. Mas fiz de tudo pra voltar a dormir, porém a hora e a consciência não permitiram. E só o que pude fazer, foi passar essas cenas inúmeras vezes, o dia inteiro, até agora… como se eu fosse voltar a dormir daqui a pouco e continuar a sonhar, pelo menos lá é um lugar onde não há sentimento de culpa nenhum, onde vejo realmente meus desejos, onde não tenho vergonha, onde tudo é mais fácil… e assim vou me apegando a esses devaneios, como se toda essa realidade fosse vazia.  

Dom Quixote

Ontem fui vencida pelo cansaço das lágrimas e quando vi, já tava acordando..

Começou quando eu voltei do sonho e entrei no carro, as mesmas reclamações, os mesmo pedidos.. toda aquela chatiação. Já não aguento mais. Em casa vinham a mil por hora, todas aquelas imagens em câmera lenta do dia inteiro, de toda a felicidade, toda alegria. Parecia de outro mundo, de outra pessoa, tão raras… Todas aquelas músicas, aqueles risos, sorrisos, risadas altas, água, sol, amizade de tantos anos, depois comer com o amor, o final de um filme, e mais uma vez, a felicidade de estar junto, carinho, amor, amor, amor, e mais carinho, corpo, vontades, mais filme, céu… ficaram tão longe, sensação ruim, carro. Na maioria das vezes voltar pra casa é tão ruim, como a sensação de acordar. Pensei em ouvir alguma música e usa-la como minha válvula de escape, ou apoio, como sempre faço, mas não tinha nenhuma, nada. Ninguém sabe o que eu tô sentindo, nem entende, nem imagina, nem eu. Só sei, entendo e imagino que tem alguma coisa errada, alguma coisa exagerada, e eu sei que você também tá percebendo isso, meu fiel escudeiro, por isso deixo tudo subentendido, mas é porque tá tudo assim pra mim também, um ponto de interrogação maior que eu. Então desisti da música, fiz minhas coisas pra ir dormir, fingi uma boa voz e um sorriso e fui desejar boa noite. Tudo falso, descendo as escadas recomecei a chorar, aquela farsa doeu mais do que eu imaginava. Me sentia amarga. Subi e deitei na cama, o choro era tanto que silenciava, me deixava num vácuo horrivel, como Alice quando cai naquele túnel. Pela janela olhei o céu. Mais cedo naquela noite, me chamaram de estrela, mas no meu céu não tinha nenhuma.. mais triste ainda, virei para o outro lado pra me poupar dessa cena… e só me dei conta de tudo isso, quando virei para o outro lado de novo, e já tava tudo claro, caindo uma chuva que parecia dissolver tudo.. imaginei que o céu tenha me visto naquele sofrimento e tenha tomado as dores, como pra me deixar melhor, como naquela música ”who says you’re the only one who’s hurted?”.. e com o passar das horas, quando me dei conta o dia estava lindo, tomei como lição e botei uma música alta pra ouvir, fui tomar um banho e esperar meu amor. Vou passar por tudo isso e vou ficar bem, certeza.

Mesma.

E aqui eu tô com a barriga roncando, deixando a tristeza se apoderar de mim como se eu nunca fosse mais conseguir sorrir, até que você me lembre que eu na verdade não sou sempre assim, só quando eu deixo. E essa loucura vinda de mim mesma, vem junto com uma sugestão de pedir ajuda pra tentar me salvar desse abismo, mas que eu sempre rejeito, não, eu consigo sozinha, ou não. Mas quem se importa? Também, eu entendo a preocupação. Afinal já estamos quase chegando na metade do dia e a única coisa que fiz foi mudar de cama, de cobertor, mas os pensamentos continuam o mesmo, a vontade de dormir pra sempre e esquecer de tudo num lugar onde eu não sonhe, também a mesma. Quando já começo a pensar que na verdade nada é tão ruim assim, vejo que me enganei, porque existem coisas piores por vim, ou melhor, existem coisas por mim, e isso em si já é ruim. Tô com vontade do nada, de nada.

Fui lavar o rosto pra ter a primeira refeição do dia 5 horas depois que eu já tinha acordado (de verdade, sem contar com os cochilos curtos), com a barriga vazia, pra dentro, roncando.. mas sem a vontade comer, mais por obrigação. Me olhei no espelho e não sabia o que era. Senti aquela água fria escapar pela minha mão e descer ralo abaixo, como vários momentos e oportunidades. Não sequei o rosto esperando um vento forte e repentino o secar, e levar embora todo esse nada. Mas só o que fiz foi não esperar por esse vento que não viria, pegar a toalha e passar no rosto. Depois me sentar e comer uma comida com gosto de fria. Depois voltei a deitar… e lembrar de um dos sonhos que tive nessa noite confusa. Espero que seu significado esteja certo, mas tô cansada de acreditar em tudo. Então lembrei que hoje peguei um livrinho velho e na contracapa tinha ”Esperança é que hoje é o primeiro dia do resto das nossas vidas”… e é isso, tenho é que aprender com a Vicki, do livro que terminei de ler hoje, que sobreviveu de um câncer de pulmão. Não entendi o final do livro ao certo, quem sabe daqui a um tempo eu leio de novo, pra ver se mudei a ponto de entender, como tudo que a gente passa que as vezes precisamos reviver, mas só se for nos acrescentar algo, o problema é esse.